terça-feira, 28 de janeiro de 2014

UMA VISÃO MELHOR

A caminho de Damasco, Paulo precisou ficar cego para
enxergar uma vida nova.
Vamos refletir um trecho do livro dos Atos dos Apóstolos 9,1-22. Liturgicamente, esta é uma das opções para a primeira leitura da missa celebrada pela conversão de S. Paulo apóstolo, no último dia 25.

Antes, o judeu Saulo era fervoroso defensor da religião hebraica. Inteligente e letrado, foi um grande perseguidor dos cristãos, nos primeiros tempos. Um dia, a Luz do Senhor o envolveu, e ele ouve a voz de Jesus: "Saulo, Saulo, por que me persegues". O Messias lhe dá instruções para que siga a Damasco e encontre um discípulo que intercederá para que lhe devolva a visão. E assim foi.

Saulo foi batizado, catequizado, tornou-se Paulo e um dos principais anunciadores do evangelho, sendo autor de importantes cartas para as primeiras comunidades. Estas epístolas são tão inspiradas que estão na nossa Bíblia Sagrada, e servem de orientação a todas as comunidades e cristãos da atualidade.

O ponto que quero destacar aqui é a visão "perdida" pelo apóstolo. Muitas vezes nós também achamos que vemos, mas na verdade não enxergamos as coisas como devem ser. O que pensamos ser certo, pode não ser a vontade de Deus. E isso pode estar diante dos nossos olhos e não nos damos conta.

A cegueira espiritual, não deixar que o Senhor abra o nosso coração para que a Sua Luz brilhe em nossa vida, pode ser pior do que a cegueira física. Há um ditado popular que diz que o pior cego é aquele que não quer ver.

Talvez aquele problema teimoso, difícil de resolver, esteja empacado justamente porque você não olha sob a Luz do Espírito Santo. Entrega nas mãos d'Ele, confia, acredita que Ele só quer o melhor para os seus filhos, e tudo fluirá como a água num rio!

O mais difícil para nós, especialmente no mundo de hoje, é deixar a cegueira do mundo e ver as coisas sob a perspectiva divina, que valoriza o ser humano e a vida em geral. Tomemos como exemplo o apóstolo Paulo, que confiou em Jesus, se abandonou n'Ele, voltou a ver. Mais do que isso, passou a ver um mundo melhor, para humanos melhores. Passou a ver o Céu.

Fique com Deus.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O SILÊNCIO OUVIDO POR DEUS

Toda oração é ouvida por Deus. Toda necessidade
é atendida por Ele.
Vamos refletir o primeiro livro de Samuel 1, 9-20. Esta passagem nos apresenta Ana, uma mulher que não tinha filhos, e por isso era humilhada constantemente. Em meio a tanto sofrimento, ela recorreu ao único que poderia reverter esta situação: Javé.

O Senhor ouviu a súplica da esposa de Elcana, que chorando muito lhe pedia um filho, e que o consagraria a Deus. E assim o fez. O menino nasceu, e recebeu o nome de Samuel, e se tornou um dos grandes homens do Todo Poderoso.

Há uma parte do texto que vale a pena destacar. Ana se colocou humildemente diante do Pai, e não rezou em voz alta. Fez o que Jesus ordenaria aos apóstolos, e a nós hoje, muitos anos depois: "Quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao seu Pai ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você" (Mt 6, 6). Ela queria que apenas Deus a ouvisse, por isso seus lábios se moviam, mas não se ouvia a sua voz.

Se seguirmos pelo mesmo evangelho, veremos que a mãe de Samuel também seguiu a recomendação de não usar palavras bonitas, pomposas ou difíceis. Ela falou com o coração, pois já não suportava mais tanta humilhação. Ana então alcançou a graça que queria, e seu filho foi um dos nomes importantes na história do povo de Deus.

Muitas vezes pedimos em nossas orações tantas coisas, ou nos perdemos nas palavras. Ou até podemos não ser compreendidos pelos demais, como aconteceu a esta mulher, que pensavam estivesse bêbada. Calma. Fique tranquilo, fique tranquila. Para falar com Jesus não precisamos da burocracia terrena que existe para tratar com reis e presidentes! Se coloque diante do Pai com humildade e simplicidade, E Ele nos ouvirá. O Senhor conhece as nossas necessidades, e escuta os corações que recorrem honestamente.

Não se desespere! Devemos confiar em Deus, em todos os momentos, nas alegrias e nas tribulações. Pois ao tempo dEle tudo se realizará para o nosso bem.

Fique com Deus.

Imagem: joampadua.blogspot.com



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O SENHOR SE MANIFESTA NO AMOR

O Senhor manifestou-se por amor a nós através de seu Filho
Vamos refletir sobre a primeira carta de São João 3, 7-10. Esta é nossa primeira reflexão do ano, portanto quero convidar você a abrir seu coração para deixar que esta Palavra seja sua orientação por todo este 2014 que começou há pouco.

O apóstolo e evangelista João é o mais afetuoso dos discípulos escolhidos pessoalmente por Jesus, durante sua passagem terrena. Sua maneira de nos tratar é sempre como um pai ou uma mãe trata seus filhos: com muito amor. Neste trecho de sua epístola não seria diferente.

No último domingo, dia 05, celebramos a Epifania do Senhor. João, nesta passagem, nos fala exatamente sobre a razão de Deus ter se manifestado para nós. Jesus também veio para destruir toda a forma de pecado existente no mundo, e estabelecer a justiça.

E o que é a justiça? Simplesmente a prática do amor entre os irmãos. Se não fôssemos tão egoístas, pensando somente em nós mesmos, nos fazendo de coitadinhos, vítimas, para que os outros tenham mais compaixão de nós, e convertêssemos esse sentimento em amor ao próximo, o mundo sem dúvida seria um lugar muito melhor para se viver.

O evangelista é claro em seus escritos: quem é de Deus vive o amor, e assim pratica a justiça. Peçamos a Cristo, como nos ensina São Francisco em sua oração, que possamos mais amar do que ser amados. Assim, a justiça plena existirá, e o Reino do Senhor estará aqui, entre nós.

O mundo inicia o ano com o dia internacional da Paz. Mas ela será uma realidade no dia em que cada ser humano tiver Jesus no seu coração, ou seja, amar ao seu próximo como a si mesmo. Não é fácil, mas cada dia é um convite para colocarmos em prática o seu mandamento. Acredite, Ele nos dará a força necessária. Desejo a você que nada te desvie do divino caminho, rumo ao céu.

Fique com Deus.

Imagem: paroquiasntoafonso.org.br



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A VERDADEIRA ALEGRIA

Que a Paz de Nosso Senhor te envolva durante o ano novo.

Aquilo que existia desde o princípio,
o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos,
o que contemplamos
e o que nossas mãos apalparam:
- falamos da Palavra, que é a Vida.
Porque a Vida se manifestou,
nós a vimos, dela damos testemunho,
e lhes anunciamos a Vida Eterna.
Ela estava voltada para o Pai
e se manifestou a nós.
Isso que vimos e ouvimos,
nós agora o anunciamos a vocês,
para que vocês estejam em comunhão conosco.
E a nossa comunhão é com o Pai
e com o seu Filho Jesus Cristo.
Essas coisas, escrevemos para vocês,
a fim de que a nossa alegria seja completa.


É comum nesta época do ano desejarmos tudo de bom uns aos outros. Com este texto da primeira carta de São João 1, 1-4 quero desejar a você, à sua família e todos que te cercam a Vida e, em Cristo Jesus, a verdadeira  e completa alegria.

Feliz 2014! Fique com Deus.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A PLENA CONFIANÇA

Maria não se opôs à vontade do Senhor
Vamos refletir o evangelho segundo são Lucas 1, 26-38. Este trecho da Boa Nova traz pra nós o anúncio do anjo Gabriel à jovem Maria.

Não há como não destacar o "sim" de Nossa Senhora à vontade do Senhor. Ele é um exemplo para todos nós até hoje. E foi uma aceitação incondicional, sendo que poderia perguntar tudo, colocar uma série de obstáculos para que aquilo não acontecesse com ela.

Não é pra menos. Maria era virgem, foi prometida em casamento para José. Se ela chegasse grávida de um desconhecido, seria entregue pelo noivo e apedrejada até a morte. Se as mulheres encontram dificuldades nos tempos de hoje, naquela época era muito pior.

Aquela jovem tinha conhecimento de tudo o que poderia acontecer, e mesmo assim a única pergunta que fez era como isso iria acontecer, já que não conhecia homem algum. Apenas a questão física foi a preocupação de Maria. Ela confiava plenamente na segurança do Senhor, sabia que Ele iria providenciar tudo para que nada lhe acontecesse.

Mas do que se espelhar na afirmativa da Virgem Santíssima, também devemos clamar a Deus para que confiemos plenamente n'Ele. Precisamos ter no Pai o nossa maior segurança em todos os momentos de nossa vida. Ele é o único que tem poder para nos proteger. "Eu o livrarei, porque a mim se apegou" (Sl 91, 14).

Isso sem contar que, com o "sim" de Maria, nasceu para nós O Salvador, que é Cristo, o Senhor!

Que neste Natal, o centro da festa na sua casa seja o Deus Menino. Que Ele seja também a sua confiança e segurança para tudo. Para aqueles que se entregam totalmente, Deus nunca vai desamparar e garantirá a vida eterna.

Um santo e feliz Natal! Fique com Deus.

Imagem: Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, Brasília-DF



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A CURA DO CORPO COMEÇA PELO ESPÍRITO

O pecado nos paralisa, mas o perdão nos restaura
Vamos refletir o evangelho segundo São Marcos 2, 1-12. Esta passagem também foi relatada por Lucas (5, 17-26), que é a recomendação da liturgia da última segunda (9/12). Aliás, fica uma dica para aqueles que querem começar a ter intimidade com a Palavra, mas não sabe por onde começar. A leitura da Bíblia não deve ser feita como se fosse um livro qualquer. É necessário rezar primeiro, para que Deus nos ilumine e possamos compreender o que quer dizer.

Para quem está começando, recomendo sempre os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e os salmos. Pode ser aos poucos, não precisa ser tudo de uma vez. Então passe para leituras mais profundas, como as cartas de São Paulo e o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).

Voltando à nossa reflexão, neste texto, Jesus estava em casa, e logo ela ficou cheia de gente. O Senhor atendia a todos e se admirou com a fé de um grupo de homens que literalmente desceu um paralítico, já que não conseguiram entrar pela porta. Cristo perdoou os pecados do doente e, após ser criticado por doutores da Lei em pensamento, curou a paralisia do homem.

Em muitas oportunidades no evangelho, Jesus primeiro absolve o doente de suas faltas para depois conceder-lhe a cura física. Por que? Ele é o Senhor, poderia ir pelo caminho mais fácil! Porém nem sempre o mais fácil é o melhor.

Você já deve ter ouvido falar que "o salário do pecado é a morte" (Romanos 6,23). Em vários casos, a cura de uma doença passa primeiro pela cura espiritual, pelo perdão que é dado por Deus, que podemos dar ao irmão e que podemos aceitar também. A transgressão aos ensinamentos divinos podem nos paralisar, tentam impedir que sigamos rumo ao Pai.

No entanto, jamais devemos nos esquecer de que o Nosso Senhor é misericordioso e amoroso ao extremo. E está pronto para nos abraçar, como aquele pai da parábola do Filho Pródigo (Lucas 15,11-32). Cabe a nós a decisão de correr aos seus braços.

A absolvição de nossos erros é a restauração do nosso espírito para uma vida nova. É a verdadeira liberdade, que os filhos de Deus possuem, e que Jesus quer te conceder a todo o momento. Uma vida de oração, de reconciliação com o Senhor e os irmãos, buscando a Palavra e os sacramentos, especialmente a confissão e a eucaristia, nos ajudam e muito neste discernimento.

Restaurando o nosso interior poderemos alcançar a cura exterior. Não é fácil. Com Deus, porém, nada é impossível.

Fique com Deus.

Imagem: Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, Brasília-DF



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A FAMÍLIA DO SENHOR

Não há divisões na família de Jesus/Imagem: Catedral
Metropolitana de Brasília
Vamos refletir a passagem escrita no evangelho segundo São Mateus 12, 46-50.

Neste trecho, Jesus está num local, pregando às multidões, enquanto Maria e seus irmãos estavam do lado de fora. Este pedaço da sagrada escritura causa muita confusão, principalmente por dois aspectos: a virgindade de Nossa Senhora e a "aspereza" na resposta de Jesus ("Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" - Mt 12,50).

O vocábulo "irmão" nesta época, segundo a linguagem judaica, na verdade se referia ao que conhecemos por "primos". Eram os filhos de tios e tias de primeiro grau. As pessoas antigamente viviam em tribos, e os membros de uma mesmo tribo também eram tratados como irmãos.

A Bíblia não pode ser lida ou interpretada sem que se busque entender o que ela quer nos transmitir, respeitando também a época em que foi escrita. A linguagem muda com o passar dos anos. Do jeito que as coisas vão indo, o "você", que já foi "vossa mercê" vai virar só "vc". É um exemplo.

A outra metade da polêmica está na afirmação de Cristo em relação a quem são sua mãe e irmãos. Muitos podem pensar que o Senhor foi duro com Maria, até mesmo frio. Não é verdade. Em nenhum momento o Filho de Deus quis diminuir sua própria mãe, que tanto amava, mas sim evangelizar aquela gente.

Quando dizemos "sua família está aí", afirmamos que você pertence àquele grupo de pessoas, diferente do meu. Nos excluímos mutuamente. Somos de grupos diferentes. Jesus não quer isso em seu Reino. Ao responder que todos que realizam a vontade de Deus são seus irmãos e sua mãe, Cristo confirma que todos formamos uma única família: a Família do Senhor.

E quem foi a primeira que se colocou à serviço do Salvador? Claro, Maria! A serva fiel jamais poderia ficar sentida com tal frase, pois seu Filho em nenhum momento a excluiu. Ele nasceu em uma família e foi criado com muito amor. Em nenhum momento diria qualquer coisa que magoasse Nossa Senhora.

E sabe o que é melhor ainda? Ele também não nos excluiu! Quer a todos nós como membros da sua família. Que nós possamos a cada dia ter a certeza de pertencer a essa grande família, respondendo como Maria ao Anjo: "Faça-se em mim, segundo a tua palavra"(Lc 1,38).

Fique com Deus.